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Os artistas que apoiaram a Ditadura civil-militar

Ao contrário do que diz o senso comum, existiam também entre a classe artística aqueles que defndiam a ditadura civil-militar.

A ditadura militar é sempre lembrada como um período em que os artistas fizeram forte oposição à repressão política. Chico Buarque, Gonzaguinha, Caetano Veloso , Gilberto Gil e muitos outros são exemplos, sempre destacados, de músicos que nunca se curvaram às imposições dos militares. São figuras que colocaram seu talento a serviço da luta pela liberdade.

Essa imagem, porém, é apenas parcial. Os nomes citados não representam toda a produção artística. Havia muitos entusiastas da ditadura, sobretudo no governo Médici. Há, inclusive, figuras bem conhecidas. Os sambistas dos Originais do Samba, grupo que tornaria conhecido o humorista Mussum, é um dos exemplos. Nessa época, Mussum falava sério e, no samba “Brasileiros”, os críticos dos militares eram chamados de “sem pátria” e, por tal motivo, deveriam ser expulsos do país.

Roberto Carlos é condecorado pelo general Humberto de Souza Mello.

O “rei” Roberto Carlos foi considerado um amigo da “revolução” pelo regime, sendo condecorado em 1973 com a Medalha do Pacificador. Suas boas relações com o regime também garantiu a ele e seu sócio, o radialista Cayon Gadi, a concessão de uma rádio FM para Belo Horizonte por 15 anos. O cantor também participou de conselhos do governo militar, foi contratado para fazer shows que exaltavam a ditadura e teve diversos negócios no período, como locadora de carros, boate e postos de gasolina.

O nome mais famoso desses propagandistas é, sem dúvida, o de Jorge Ben Jor (eleito pela revista Rolling Stones como o quinto maior músico da história brasileira). Jorge Ben, em parceria com Wilson Simonal, outro ícone da MPB, gravou a canção “Brasil, eu fico”. Nela, a dupla respondia à propaganda oficial “Brasil, ame-o ou deixe-o: “Este é o meu Brasil. Futuro e progresso do ano 2000. Quem não gostar e for do contra, que vá para …”.

Bem, chegamos nos anos 2000 e, curiosamente, essa canção sumiu da discografia do cantor. Ela não está em nenhuma coletânea do artista, nem é cantada nos shows. O que antes era certeza e entusiamo cívico virou esquecimento.

A “página infeliz da nossa história” é igualmente uma página sombria na biografia de Jorge Ben. Memória de um tempo que ele gostaria de esquecer ou, pelos menos, que os brasileiros esquecessem. Porém, como disse Peter Burke, o trabalhado do historiador é justamente o de lembrar a sociedade daquilo que ela gostaria de esquecer. Por isso, eu estou aqui. 🙂

Se os cariocas soubessem dessas inclinações do artista, certamente não dariam ouvidos quando o mesmo Jorge Ben, em 2014, pediu votos para o candidato Luis Fernando Pezão. Esse é outro fato que, em breve, Jorge Ben tentará esquecer e que eu estarei pronto para lembrá-lo.

Texto de Eduardo Migowski.

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